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OutraPoesia
 


Haiti.

Também no UOl: http://noticias.uol.com.br/especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/20/ult9967u135.jhtm.

Comentando a ocupação militar do Haiti.

Até. Wagner.



Escrito por wagner4 às 18h29
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Ajuda e constrangimento

Começam a surgir críticas à ocupação pacífica e oportunista do Haiti por tropas que não as da ONU.

A desconfiança fica especificamente sobre os EU. Porque, para todos os fins, toda tentativa de organização é contrária às imagens de alimentos lançados indiscriminadamente - incentivando situações de tumulto.

Pra quem desconhece, o Haiti é uma das mais antigas Histórias da América Libertada.

Foi uma revolta de colonos-escravos que levou à independência aquela parte do mundo.

Vencedores, os homens livres foram surrados pela burocracia internacional, que os conduziu a uma indenização impagável à dominadora França.

E desses pagamentos à metrópole surgiu sua MISÉRIA.

Enfim, para o Haiti, nunca houve "auxílio" para o desenvolvimento.

E a sua população libertária foi empurrada - aí sim, Cônsul - para a Favelização.

Como nós brasileiros conhecemos a realidade "racial" por aqui, onde, historicamente, houve tentativas de Branqueamento da população impedindo a integração econômica de pessoas pretas.

Para que desaparecessem. Isso está nos compêndios de História.

Também - fácil de achar - está em "O Povo Brasileiro".

Já o Haiti, como as imagens mudas demonstram, não é visto como um povo guerreiro e autônomo - no único sentido em que essa expressão "guerreiro" se justifica, o da libertação - e sim como "miserável" e dependente.

Concordo - sem procurar nem saber quem é - com Omar  Thomaz, (professor que faz comentários no link abaixo, em texto do Uol) que alerta para o fato de terem - os "apoiadores" - que respeitar as autoridades haitianas, e permitirem que elas conduzam a reorganização do país, e o processo de localização e socorro aos sobreviventes, ou a reconstrução da cidade.

Mais que isso é ocupação.

Até mais.

Wagner

(http://noticias.uol.com.br/especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/23/ult9967u191.jhtm)



Escrito por wagner4 às 18h22
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Fatos e fatos

Bom, vamos aos fatos:

Douglas mostra o extraordinário disco de Nando Reis.

Como letrista, não sou maior fã de Nando Reis - ainda não entendi a obsessão contemporânea pelo compositor - mas como músico, admito minha admiração. Cada aparição dele, com aquele violão de aço, gritando melodicamente, faz eu pensar que há coisa boa no rock. Por essas e outras indico, inclusive aos fãs de "letras", o disco mais recente de Nando Reis. Bom som. Teclados e arranjos rock muito bons também.

Lúcia e eu papeamos horas sobre textos. Sua biblioteca - onde ela trabalha - está com incrível repertório de prosa: atenção, leitores, lá tem Ignácio de Loyola a dar com pau; tem um pouco de tudo o que presta, e precisa ser valorizada. É a biblioteca Orobó, no Mikail. Mapa no Google.

Outro alento: infantis. É a primieira biblioteca a que vou, há tempos, com destaque para a literatura infantil. Só eu me deliciei um bocado.

Sim, amigos, apesar de um pouco idoso, leio minha Luluzinha - que continua ótima, nas edições disponíveis em sebos e às histórias da Melhoramentos.

Aliás, preciso dar uma passada pela Luluzinha Jovem, similar à Mônica Jovem e, ao que parece, produzida em território brasileiro.

Abraços.

Wagner....



Escrito por wagner4 às 17h49
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Alopáticos pirados. E afins.

A "tese da alopatia" é uma ideia extraída do filme "O Clube da Luta".

Sob pressão, sob esgotamento físico, mental ou emocional, alguém começa a perder noção do que diz.

Bom, tendo em vista as - até agora - 120 mil perdas de vidas humanas no Haiti, talvez qualquer pessoa dissesse bobagem.

Por este motivo, pretendo não zoar com o cônsul.

Também por isso, eu tento escutar menos possível o camelô Luís Inácio.

Partindo ou chegando, ele sempre está fora de algum fuso horário.

E tomem bobagens.

Nessas horas penso ser mais uma questão de desequilíbrio fisiológico do que falta de esperteza.

Pelo menos é o que acredito. Wagner.



Escrito por wagner4 às 20h40
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Fatos e imagens

Nelson me passa uma mensagem onde se mostra uma reportagem televisiva (está no youtube) na qual o Cônsul do Haiti declara coisas preconceituosas contra - pasmemos! - seu próprio país e o contra o povo que ele supostamente representa.

Prefiro a tese dos alopáticos

Pessoas chapadas com remédio fazem coisas idiotas.

É a única explicação razoável. Mesmo que falsa.

Abraços. Wagner



Escrito por wagner4 às 04h41
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Masp abre programação de 2010 com Marc Chagall

Meus amigos, não gosto muito - tenho meio que medo, pra ser sincero - de trabalhos sinuosos ou delirantes feitos por Chagall.

Considero-o fundamental. Mas prefiro o conforto musical de Van Gogh - que os monitores não me aperreiem.

O conforto de Van Gogh, a previsível melodia construtivista (tum-ta-tum: músicos, não se incomodem: todos sabem o que é melodia, só que os construtivos pensavam que melodia era tom sobre tom, ritmos e timbres variando. E não serei eu quem vai contrariá-los).

Também, a dura (concordam?) melodia de Klee.

Uma vez, perdi amigos falando que a Antropoesia devia muito ao Paul Klee. E é só conferir.

Mas, afinal, falemos de Chagall.

Ele está na exposição do Masp, Av. Paulita, 1578, São Paulo, até 28 de Março.

O museu é fácil de achar.

Só que, antes de prosseguir, gostaria de comentar uma palhaçada.

Isto porque o Masp abrigou, anos atrás, a exposição de um inoportuno Salvador Dali.

Esqueçam o farsante (qualquer homem ao se banhar já deve ter visto algo parecido com suas paranoias, mero antropomorfismo).

Nem suas inócuas criações em torno de Lautréamont valeram o tédio de sua exposição. Provocativo mesmo é Marc Chagall.

Esqueçam o ridículo Rinoceronte, de rendinhas e monumental, que o Masp teve o descuido de expor - a bem da verdade, o Masp só pegou emprestado o que o Rio de Janeiro trouxe ao país, o que o desculpa.

Falo da exposição de - aproximadamente - 1996.

A comparação é quase inevitável.

Onde Dali, latino, era o kitsch, Marc Chagall, banido de sua comunidade cultural, tenta a austeridade.

E encontra sua originalidade artística.

Paranóico, delirante, com suas vacas para assustar crianças.

Embora ambos sejam Kitsch, ambos diferem na postura: um trabalha com deboche, outro parece exprimir sua figuração espremendo-a do fundo de uma tradição.

Arcaica. Sonolenta. Kitsch.

Não me atraem.

Penso que, para completar a "paranoia", o Masp poderia apresentar Bosch, outro delirante, e talvez o melhor deles. Ainda assim, talvez visite Chagall, pela austeridade, pelo desenho, pela música.

E pela vitória dele sobre seu mundo.

Abraços, até. Wagner



Escrito por wagner4 às 04h29
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Mais disso...

Papos e papos.

Traduzir é uma alegria. Durante ensaios no auditório Pedro Dias Gonçalves, da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, Luciano Dias Soares e eu notamos o aviso "Não Fume" desagradavelmente colado sobre nossas cabeças.

Aqui, o conflito é entre o convencional, a "Sala de Cerimônias" e o "estético", dois guris doidos para converter a cidade em intervenção artística.

Lula, poeta, não deu confiança, eu, na época muito cômico, fiquei horas pensando em uma solução, principalmente porque o aviso estava colado de modo a tirar a simetria da sala: quase no meio, no alto, convidando uma outra frase colocada ao lado.

Para não perder o "equilíbrio" - os artistas plásticos não estranharão isso - peguei minha voluntária desocupação criativa e - depois de muitos cálculos - sugeri: colem um aviso ao lado: "Não Fumem!" e "Não Durmam!".

Penso nisso quando traduzo: o que faz sentido colocar aqui?

Daí, penso: Não Durmam!

Wagner.



Escrito por wagner4 às 18h38
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Traduzir é um esporte de risco

Alexandra, minha professora, dizia que "nem tudo é erro". Ela anotava variáveis, comentava os acertos, riscava o que estava errado.

Adiantando o fim da história, dava alguma confiança.

Afinal, tradução é um esporte arriscado.

Dias atrás, li "Últimas palavras do Herege", sobre e com Pier Paolo Pasolini.

A altas horas, surge um comentário "(os subtítulos)... pelo menos mantêm o acento..." (estudantes, deve ser lá pela página 90) e não podia senão despertar um ciclo de comentários interiores (insights?) já que subtítulos não costumam ajudar em nada.

A tradução - em português usual - é legenda. Pasolini dizia que utilizava dublagens, em lugar do som direto. Criticava as dublagens francesas. Por isso dizia que as "legendas", e não "subtítulos" ajudavam a manter o acento, a "fala-sonora" original.

Semana passada, despreocupadamente, folheava uma tradução de um manual de B.D. (a "História em Quadrinhos") francês.

Já estava prevenido: convivi anos com o erro de uma tradução de Jacobbi (Ruggero Jacobbi), incentivador do Teatro de Arena, em São Paulo.

É frequente, embora Jacobbi vivesse no Brasil, alguém traduzir um texto para a publicação. Paulo Freire, por exemplo, tem textos escritos no exílio, traduzidos posteriormente para a língua materna do educador.

Pois bem. Jacobbi era nascido na Europa. E escreve (não tenho os originais) provavelmente tenha escrito um falso cognato próximo a "cenário", e, por anos, disse - eu - que as peças de commedia dell'arte tinham "cenários", em vez de "roteiros".

Pois bem. No manual de B. D. apareciam "cenaristas" em lugar de roteiristas. Lembrei-me do Jacobbi. É um risco traduzir.

Também, dias atrás, de novo vendo gatas-estreladas, Julia Stiles me inquietou com um filme, The cry of the Owl.

O "grito da coruja" seria, no mínimo, esquisito. Aqui, adequadamente, puseram "O voo da coruja".

Assistindo a fita, descobriremos que o mais adequado, ao português, é "O pio da coruja".

Talvez a produtora acredite que um filme com nome de "pio" não venda.

Daí, sugestão "de graça", aconselharia a colocar "AGOURO".

Tem o mesmo sentido. E, simplesmente, é o que a personagem diz ao protagonista: você é um "agouro" (bom?).

Mais que isso, dicionários de português na estante. Porque, ainda, traduzir é um esporte.

De risco. Abraços, Wagner.

(O livro de Ruggero Jacobbi é "Expressão Dramática", se não me engano, de 1956.)



Escrito por wagner4 às 17h49
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Nosso Douglas chega (quase) inteiro aos 30 e quantos....

Pessoal, hoje o velhinho do Douglas completa 34.

Abraços, comemoremos. Valeu, primão!

Wagner.....



Escrito por wagner4 às 19h56
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Zilda Arns

De nossa parte, uma homenagem à batalhadora pela causa da vida. Obrigados, dona Zilda. Nós, e as crianças, agradeceremos ainda, se possível, continuando a tarefa.

Até. Wagner........



Escrito por wagner4 às 19h55
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Antropoesia

Costumo dividir a história da Antropoesia em quatro fases: a primeira, formadora, predominantemente teatral; a segunda, literária; a terceira, uma parada "sabática" generalizada e, finalmente, a atual, predominantemente musical.

A primeira deu parâmetros estéticos, a segunda os aquiesceu.

Depois de um período de aproximadamente 6 anos, em que Éder, Luciano e Roberto ameaçaram continuar os trabalhos, apenas em 2002-03 é que se pôde ver outra produção "terminada" do grupo.

Nesta, Renato Alves trouxe a dinâmica de sua guitarra, mais que adequada à black music / música urbana que eu vinha planejando, o intérprete-compositor Douglas trouxe uma voz rasgante, e aos poucos descobrimos, via Letras da Ung, um baterista ao mesmo tempo plástico, criativo e pesado, e um guitarristaviolonistacontrabaixista versátil. Desse encontro, abalizado por um gentil poeta Claudio Willer, e depois por Claudia Vieira Fernandes e Edmilson Souza, então secretário de cultura, fomos levando adiante o plano elaborado: mostrar à cidade e ao mundo a música do grupo e a poesia de Luciano Dias Soares, Nelson Novaes Rodrigues, Fernando Pessoa, Arthur Rimbaud etc.

Quer dizer, a gente tem a parte interna do patrocínio pessoal, e a parte pública das portas que se abriram para encontrar a poesia musicada da Antropoesia.

Outros gentis senhores nos acolheram, como os amigos Roberto Bicelli e Luciano Dias Soares, que nos dão forças poéticas ao vivo. Dido, no Território, Alex, no Casa Brasil, a equipe de música, na Cultura, Pedro, no Espaço Caiuby, a turma dos Satyros, o Wander, o Belotto, em gravações, o Rogério, e ainda o Clam, Dani, Paulo Moraes, todos remando a favor da maré antropoética.

Assim, a "Quarta Fase" tem sido reconhecida. Ângelo Macedo expôs a produção escrita, no Varal da Monteiro, cada um vai colocando um pouco de esforço nesse "movimento" físico, pleno deslocamento no espaço.

Vimos compondo, tocando, mostrando, registrando, e vamos seguir. Uma quinta virá!

Em 2010, completamos 18 anos de estrada!

Felizes.

Solares.

Adiante, amigos.

Até, abraços, Wagner......



Escrito por wagner4 às 12h26
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Contemporâneos. Influências. Literatura guarulhense.

Turmas, acho que tenho informações sobre os participantes da Antropoesia, mas pretendo falar deles depois, principalmente contextualizando na programação deste 2010. Assim, segue um verbete para cada uma das personagens que me influenciam literariamente.

São pessoas associadas ao fazer e à divulgação literária na cidade e, por isso, em algum momento me impressionam. Afora Renato Alves, Paulo Alexandre, Douglas, Revair Paviani, e eu, seguem-se os outros. Abraços. Wagner.

__________________________________________________________________

 Éder Uzeda, desconhecido como escritor, o cientista músico inventou a Antropoesia, instituiu os eventos chamados Kuarup e viabilizou as mostras intersemióticas de poesia. Defendou as intervenções urbanas, como a poesia grafitada ou carimbada em cédulas, musicou Maiakovski, encenou peças, fez leituras públicas e musicadas. Proprietário de um arquivo histórico e de um acervo bibliográfico consideráveis, fomentou pesquisas populares ou individuais, divulgando autores como André Breton, Franz Kafka e Cláudio Willer na cidade.

 

Nelson Novaes Rodrigues, poeta, historiador, cientista. Nelson esteve na origem da agitação literária, cultural e universitária que ocorreu na cidade no fim dos anos 1970. Autor vinculado ao humanismo, sua produção é um discurso criativo sobre o estranhamento, a vida social contemporânea, as falas da cidade, e o modo masculino de lidar com a vida.

Luciano Dias Soares, baiano, começou a escrever por volta de 1989. Da oralidade ao texto visual, Luciano deixou sua marca em eventos como peças teatrais, performances, shows, leituras públicas, rompendo os limites locais, sendo apresentado como um dos poetas urbanos mais interessantes da época.

Rogério Brito, provavelmente o maior poeta dessa safra. Surgido por volta de 1999, o poeta baiano fundou o grupo Olh’Arte, participou das edições iniciais da “Palavra em Prisma”, do fanzine Catástrofe, de performances e leituras. Consegue atrair a atenção de contestadores e experimentais, e é reconhecido como dos principais autores “orais”.

 

Ângelo Macedo, poeta e teatrólogo, agitador literário, organizador do grupo Letraviva, a Ângelo é atribuída a “pessoa jurídica” do grupo. Respeitado em toda a região metropolitana, autor ativista, publicou em edições coletivas, folhetos artesanais, coordena ações e une autores em iniciativas como o Abril Literário, democratiza os espaços públicos, defendendo a poesia contra a ação desmobilizadora das políticas culturais pública.

 

Vinícius Gonçalves de Andrade, editor e autor dos textos publicados no blog Maromomi, é provavelmente o escritor mais organizado em termos literários. Estudante de Letras, publicado em quase todas as edições de “Palavra em Prisma”, fundou com Rogério e Maurício o grupo Olh’Arte, editou com estes o fanzine “Catástrofe”, e difundiu sua escrita por todo o país, por meio de blogs, pela internet, por sua ação contínua junto a agremiações literárias. Publicou em revistas, foi selecionado para o Mapa Cultural, e comenta acontecimentos de forma poética diariamente em seu espaço virtual. Polemista, relaciona sua produção a sua ideologia cultural, vinculando uma a outra.

 

Aristides Castelo Hanssen, poeta, cronista, jornalista. Castelo promoveu durante anos a manutenção do grupo literário Letraviva, tornando-o espaço público aberto à participação indiscriminada de quem quer fosse leitor, autor, apreciador literário. Em Guarulhos há cerca de 35 anos, produziu 4 livros, uma peça e participou de incontáveis leituras, tornando-se primeiro nome a quem se associam iniciativas literárias.

 

José Alaércio Zamuner, autor de prosa e poesia experimentais, Alaércio lançou 2 livros de “contos-causos”, misturando sua educação de semioticista com informações da música pop e pseudocausos populares. Promoveu, com seu amigo e parceiro literário César Borges, a iniciativa da “Palavra em Prisma”.

 

Roberta Andressa, poeta associada ao movimento “Terathos”, selecionada em “Palavra em Prisma”, participa de “Cancioneiros do Caos”,

antologia de autores surgidos nos anos 2000-2003. Provavelmente a grande voz de mulher, externando sua inqiuetação em poemas que ostentam a intensidade lírica de sua individualidade e a marca social, num discurso crítico participante.

 

Alexandre Villas Boas, artista plástico, poeta, dos principais representantes da geração atual de artistas visuais, integra o Coletivo 308, com o qual expõe e faz intervenções, reunindo uma respeitável antologia de arte postal. Integrou anteriormente o coletivo Gavetas, e o sítio Bicho Raro, onde, embora não seja sua preocupação primeira, realizava a divulgação de seus poemas. 

 

André Prosperi, integrante do grupo dos Terathos, tem uma interessante produção visual, destacando suas intervenções em vídeo.

José Roberto Nascimento, embora desligado voluntariamente da produção local, surgiu na década de 1990 experimentando o léxico, com seu parceiro Luciano Dias Soares, e participou das intervenções da Antropoesia sendo musicado, performado e exposto. Publicou “Caos”, fanzine poético patrocinado pela Secretaria de Cultura, e atua na cidade de São Paulo, divulgando sobretudo autores alternativos.

 

Isabel Borazanian, poeta, ícone da primeira geração de autores locais, integrante do Letraviva, editou sua antologia “Memórias da Emoção”, em 1989, sendo desde então referência para duas safras de autores: a dos “adultos”, que a reconhecem como uma das principais escritoras da cidade, e a dos “adolescentes”, que a reconhecem como uma autora associada à vida urbana, às cenas emotivas e aos ambientes jovens. Artista plástica, integra a Academia de Letras na cidade.

 

Olindino Santos Silva, professor, o autor associado equivocadamente ao construtivismo surgiu nos anos 1990, após participar de oficinas com Philadelpho Menezes, junto a artistas visuais da cidade. Publicou entre outras a antologia “Versos Di Versos”, em que surge uma coletividade exigindo compromisso literário e participação social, prevalecendo a experimentação formal. A antologia, surgida em 1992, é uma das principais obras publicadas na cidade. Ao seu lado provavelmente devam se situar “Memórias da Emoção”, antologia do “Letraviva”, e a primeira e a próxima edições do “Palavra em Prisma” (2003 e 2010).

 

Eugenio Asano, autor de poemas, contista, editor. Entre as personalidades literárias mais controvertidas da cidade, Eugenio tem a velocidade de um computador, e a memória seletiva de escritor. Publicou às próprias custas vários livros de prosa, divulga textos pela internet, está participando da academia de literatura local e incentiva iniciativas de divulgação por toda parte. Como escritor, é importante conhecer seu humor cáustico, principalmente nos contos. Poeta lírico com desenvoltura na apresentação de sua produção, e presença significativa em saraus e leituras públicas.

 

Maria Lima Leite, produtora, cronista, agitou a cena cultural bancando e promovendo a organização e realização de eventos literários. São dela muitas iniciativas de apoiar a apresentação de textos em suportes não convencionais principalmente em espaços públicos. Atua na Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, acompanhando a apresentação de autores como Claudio Willer, Roberto Bicelli, Celso Favaretto, Glauco Mattoso, e intervenções intersemióticas, destacando sua curadoria para a instalação “Urbano 439” de André Okuma, com textos de Wagner Pires; com Ângelo Macedo e posteriormente João Gomes de Sá, auxiliou ainda a realização do Salão do Cordel, e da Mostra Tropicalista.

 

Cristiana Picoli, designer e diagramadora, gráfica, impressiona com sua visão de mundo. Alaércio e Cristiana conformam a virada em minha visão e abordagem ético-estética na passagem dos anos 1990 para os anos 2000. Presença solar, em contraposição a Éder Uzeda e outras imagens lunares.

 

Orlando Gigli, poeta, presente nas edições de saraus por toda a cidade, considerado e respeitado por todo o ambiente literário da cidade, o poeta Orlando Gigli adaptou-se ao cenário juvenil e ao círculo literário consagrado, com sua obra proletária, presença pessoal e copiosa produção.

 

Cristina Morales, professora, poeta extremamente informada, divulgadora de iniciativas culturais e autora de poemas visuais, líricos, sensuais, nos quais expõe com sinceridade incomum uma visão crítica do mundo.

 

Wilson Mathias, prosador, espécie de Jorge Luís Borges inédito.

 

Estes autores estão entre minhas influências neste início de 2010. Ou, lembando o Vinícius: “Catarina’s on my mind”!

 

Wagner



Escrito por wagner4 às 11h17
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Cem anos de Pagu.

(A Dany Azevedo, Ângela Peres, Danielle Costa, Cris Morales, Priscila, Maria Lima e Lourdes Gomes)

Compadrio, segue a dica: comemoremos o centenário de Patrícia Galvão.

No século XX, ela foi da mais interessantes personagens literárias: musa modernista (de Oswald de Andrade a Raul Bopp, que escreveu o "côco" de Pagu), crítica social, romancista, incentivadora do teatro de vanguarda, polemista, militante e jornalista.

Pode-se conhecer Pagu por suas publicações em uma coletânea de artigos reunida em "Por uma Arte Revolucionária Independente", de Leon Trótski e André Breton (Paz e Terra, editora); no jornal político "O Homem do Povo" (Imprensa Oficial, editora); no livro "Pagu", testamento biobibliográfico preparado por um admirador incontestável, Augusto de Campos (Brasiliense, editora); em seu romance "Parque Industrial", exemplar da sofrível literatura social paulista dos anos 1930 - embora interessante como produção literária em senso estrito - e nos diversos textos autobiográficos atualmente disponíveis (Google ao lado).

Há uma filmografia até que legal, principalmente para fãs de Carla Camurati.

E provavelmente depoimentos disponíveis, já que a mulher frequentou a Vanguarda Socialista - órgão da esquerda não "alinhada", a Antropofagia, as prisões políticas e a Escola de Artes Dramáticas.

Por que conhecê-la?

Penso que, inspiradora de ações políticas libertárias, escritora amadora com muita convicção, defensora da literatura moderna - é uma das mais interessantes interlocutoras no balaio de onças posterior a 1928 dos escritores modernistas, polemizando amigavelmente com todos os seus autores preferidos, defendendo Murilo, atacando generosamente Mário, falando de suas próprias escolhas literárias.

Em tempos nos quais não se sabe o que fazer com a internet e mesmo com as possibilidades de liberdade, ler Patrícia Galvão pode ser importante.

Historiadores, professores, muita gente poderá dizer a importância dessa personagem. A lenda dará conta de uma quase adolescente ornada por Tarsila do Amaral para fazer parte dos salões paulistanos, que deixa a mentora para levar Oswald de Andrade para a "revolução proletária".

Adolescentes fantasiarão seus contornos de "normalista".

Mas penso que ao lado da aparente generosidade, de que dá conta a simpatia de seus contemporâneos, fica a demonstração de uma postura jornalística, crítica, artística, política, comprometida em viver sua época.

Só por isso interessa conhecer Patrícia Galvão.

Daqui, começamos a homenagear o seu centenário.

Até mais. Antropoesia, Wagner Lopes Pires.



Escrito por wagner4 às 10h07
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Antropoesia, Manguebit, Tropicalismo.

Texto sobre a influência possível.

_________________________________________________________________________

Gostaria de falar, se não de filiação, pelo menos de uma informação.

 

Nas últimas décadas, dois movimentos localizados resultaram em efervescente atividade criativa, a Tropicália, principalmente nos anos 1960, e o Manguebit, dos anos 1990.

 

A primeira inclui cineastas, artistas plásticos, escritores, músicos, artistas de teatro realizando uma leitura crítica de sua época, do seu país, e da abordagem cultural que se fazia de ambos.

 

O segundo, menos engajado, como se disse da arte participante, teve mais vínculo com a arte da contracultura, sobretudo posterior à Pop Art.

 

“Nós canto-falamos...” dizia o compositor ex-tropicalista Caetano Veloso, em sua “Língua”, dos anos 1980, mencionando os moradores do bairro “negro” do Harlem.

 

Mas apenas a Manguebit trouxe com eficiência o canto falado, apropriando-se da informação Hip Hop, do Rock’n’Roll, e da poesia beat, mas também do lamento real dos reggaes pernambucanos e das tecnologias culturais supostamente africanas da região metropolitana de Recife.

 

Em suma, o Tropicalismo aparece como uma leitura bem informada da modernidade estética, sociológica, filosófica, enquanto o Mangue aparece como um movimento de rua com uma vanguarda eletrônica e informada na literatura de massas: cantadores de ruas, livros usados, sebos, discos de RAP, revistas e histórias em quadrinhos.

 

Ambos com suas insinceras adaptações foram vibrantes e marcantes.

 

Em 1990, aproximadamente, Éder Uzeda e eu buscamos na “alta literatura” e no lixo de massa as mesmas informações.

 

Sai daí, somada à nossa vivência no movimento estudantil e à universidade, o rock poético na Antropoesia. Teatro, literatura, música, tudo feito pelas mesmas pessoas.

 

Fosse fenômeno sociológico, creio que haveria alguma complicação: intelectuais costumam separar arte de vanguarda, arte experimental, arte popular e poderíamos estar apenas como empíricos em qualquer um desses.

 

Reunimos em torno da fantasia um monte de gente, aproximadamente 50 pessoas, em cerca de 8 anos, antes de tornar a Antropoesia um evento reconhecível.

 

Entre 1992 e 2002, a Antropoesia foi espontânea e autogestionária.

 

Após, fixou um formato e uma linguagem.

 

Desde então é mais propriamente grupo.

 

Antes, uma ação.

 

Hoje, uma banda, um elenco, um time.

 

Inicialmente, constrangemos os próximos, tratando despreocupada e intencionalmente de Oswald de Andrade, Franz Kafka, Claudio Willer, André Breton, Antonin Artaud, Concretos, e aproveitando as técnicas disponíveis da poesia paulista dos anos 1980, principalmente.

 

Agora, temos visão cultural deixando de lado o constrangimento ao público, a coerção estética, o discurso libertário, em nome de um humanismo participante.

 

Este 2010, fazemos 18 anos, teremos R. G.. Talvez uma carteira de motorista. E CPF.

 

Mas, para voltar à vaca acima, compensa pensar porque defendemos a divulgação de iniciativas como a Antropoesia, como o Manguebit e como o Tropicalismo.

 

Provavelmente nos pareçam tentativas de convivência.

 

Por que raios a literatura deve ser escondida?

 

Afinal, desde Bashô, Camões, provençais e portugueses, esse negócio é para sociabilizar, não?

 

Só que, desde o Torquato, dá pra fazer isso eletricamente. Vivam Éder Uzeda, Renato Alves e a batida barulhenta de Revair Paviani. Poesia com linguagens diversas.

 

Sociabilização.

 

Antropoesia



Escrito por wagner4 às 09h49
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Oficina gratuita de História em Quadrinhos na Biblioteca Orobó Mikail

 

 

Nos dias 13, 14 e 15 de janeiro, a Biblioteca Orobó Mikail promove a Oficina de Histórias em Quadrinhos, ministrada pelo professor Wagner Lopes Pires.

A oficina é destinada a crianças e jovens, a partir dos 10 anos.

 

A iniciativa é parte de um projeto de incentivo à leitura, levado a cabo no espaço da biblioteca, visando a aproximação com a comunidade e a apropriação do espaço físico para realização de atividades culturais.

 

Na oficina, os alunos desenvolverão histórias e tiras, partindo da elaboração de roteiros e criação de personagens à confecção de um fanzine com as produções como conclusão dos trabalhos.

 

É necessário que os interessados tragam os seguintes materiais: papel sulfite, caneta preta, lápis e borracha.

 

Ainda este mês,  a Biblioteca Orobó Mikail realizará o Sarau de Poesia, no dia 30, a partir das 14h, com entrada gratuita.

 

Inscrições antecipadas no local. Traga seu RG

 

Biblioteca Orobó Mikail

Rua Justiniano Salvador dos Santos, 311 – Ao lado da quadra do Mikail



Escrito por wagner4 às 13h14
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